17 de fev de 2013

Capítulo 4 - Não perco isso por nada!




Deixa ser como será
Quando a gente se encontrar
No belo céu de um par que a luz testemunhar
Deixa ser como será
Eu vou sem me preocupar
E crer pra ver o quanto eu posso adivinhar

(Trecho de “Retrato pra Iaiá” Los Hermanos)

Hospital St. Cloud
20h57min
~Joe on
Eu estava num campo. Havia dois passarinhos voando ao meu redor. Peguei um depois de muito esforço. Percebi que o pássaro usava um tapa-olho. Soltei-o e de repente, não estava mais no campo. Estava no meio de um incêndio. Tinha um carro pegando fogo e alguém me puxava para longe. Eu tentava respirar e não conseguia. Droga, cadê o ar?! Abri os olhos desesperado. Avistei um teto branco. Minha testa coçava. Tentei erguer a mão, mas assim que o fiz, percebi que havia um tubo conectado ao meu pulso. Havia também uma máscara na minha cara. Era legal. Respirar sem fazer esforço. Inspira. Respira. Olhei para o lado e vi algumas máquinas. Uma delas apresentava meus batimentos cardíacos. Eu lembrava com nitidez do acidente. A coceira aumentou. Levantei a mão de novo. Sai porra! O tubo não saía.
- Epa! Epa, não pode! – Falou uma enfermeira, vindo correndo em direção a mim. – O que você quer? – Disse ela, tirando a máscara da minha cara.
- Minha testa tá coçando...
Ela gentilmente atendeu meu pedido. Ahhhhhh... Se não fosse pelo aparelho dental, ela seria bem bonita.
- Você teve muita sorte, Sr. Jonas.  Quase não saiu vivo. – Disse ela, tirando a mão da minha testa.
- Novidade... – Murmurei de voz baixa. – Como é seu nome?
- Amanda. Seus familiares chegaram muito preocupados. Parece que gostam muito de você. Eles podem vim te ver. Mas apenas duas pessoas de cada vez. Quer que eu chame elas?
Afirmei com a cabeça e fiquei tonto. Ela se virou em direção à porta. Até que ela era gostosa...
Minutos depois chegam Kevin e Nick.
- Pô cara, você deu o maior susto na gente. – Falou Kevin vindo em minha direção
- Obrigado pela parte que me toca... – Murmurei estreitando os olhos.
- É serio. Recebi uma ligação da Demi dizendo que você tinha sofrido um aciden... – Começou Nick, mas eu interrompi:
- A Demi tá aqui?! – Gritei e minha cabeça latejou. – Ai... Como... Como ela soube do acidente?
- Parece que passou na televisão... – Falou Kevin.
- Eu tive que vir correndo pra ver como você tava. A Selly também veio. A mãe e o pai tão aí. – Retrucou Nick.
- Oww, é bom saber que ocupo um lugar no coração de vocês – Falei com a voz fina.
- Deixa de ser viado. – Repreendeu Nick. – A mamãe tá doida pra te ver. Não parou de chorar um segundo.
Revirei os olhos e dei de ombros. Minhas costas doeram. Porra! Tô quebrado!
~Joe off
~Demi on
Sério, ainda não tô acreditando que o Joe bateu o carro. Eu sei que ele é burro, mas chegar a esse ponto... Tenha dó. Tio Paul e tia Denise foram até a sala onde ele estava, e eu fiquei esperando junto com Selly.
- Como foi o encontro? – Falei, quebrando o silêncio.
- Legal. Se bem que nem deu tempo de a gente jantar. – Disse ela com um sorriso amarelo no rosto.
- Desculpe por ter arruinado o seu encontro.
- Não foi você que arruinou. Foi o Joe.
- É só isso que ele sabe fazer. – Falei e ela riu.
- Então por que está aqui? Se preocupa com ele?
- Não. É que eu queria dar a notícia pra ele. Uma ótima notícia.
- E que noticia seria essa? – Perguntou interessada.
- Que ele não vai mais pra NYC! Hahaha!
- Bom, isso quem decide é o papai. – Disse ela.
- Com o Joe nesse estado? Duvido. – Murmurei.
Ela riu e finalmente tia Denise e tio Paul voltaram.
Fui em direção à sala dele. Não parecia muito machucado.
- Hum, veio me ver foi? – Perguntou ele, cínico. Ignorei a pergunta dele.
- Vim só pra te dizer que os relatórios devem estar na minha sala amanhã. Você entrega pro Kevin que ele me dá.
- Hã! Pra quê?
- Suponho que você não tem mais condições de ir. – Retruquei, quase sorrindo.
- Tá maluca Demetria?! Não perco isso por nada!!
Meu sorriso desapareceu.
- Mas...
- Olha, eu me sinto ótimo. Com certeza vou estar completamente curado até depois de amanhã.
Lancei um olhar fulminante pra ele.
- Olha, se você não morreu hoje... Foi por muita sorte. Mas garanto que não terá sorte naquela cidade. Se você fizer qualquer gracinha, por menor que seja eu te mato.
- Acredito. – Disse ele, seus olhos espalhando ironia.
- Quer saber Jonas? Eu não vou agüentar passar um dia perto de você! Não vou mais a essa viagem! – Gritei.
- Você não tem escolha... – Murmurou ele.
- Joe, por mais que você tente... Você nunca... NUNCA VAI CONSEGUIR NADA COMIGO! – Explodi.
- Mas o que está acontecendo aqui? - Uma enfermeira veio correndo.
- Ela está gritando comigo Amanda! Tira ela daqui! – Gritou ele. Caralho, deu uma vontade louca de enforcá-lo com aquele tubo de soro!
- Me desculpe, mas você está assustando o paciente. – Falou a enfermeira.
- Desculpa. – Falei sem tirar os olhos do animal deitado na maca, que sorria. – Eu já vou.
 Me retirei da sala e derramei uma lágrima de ódio. Uma lágrima. Prometi a mim mesma. Era a única lágrima que eu derramaria por ele.

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